Um blogue de pequenas causas.
Este blogue é da responsabilidade de um lisboeta com frequência universitária (Biologia), ex‑jornalista actualmente trabalhando na área informática.
Isto e tudo o mais ou será óbvio, ou irrelevante. (Vd. manifesto.)
IBSN:
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Florescem em Lisboa jacarandás e tipus, auspiciosamente trazidos da América do Sul e judiciosamente plantados aqui, aqui e aqui (e em muitos mais lugares). Para nosso deleite.
Etiquetas: Ambiente
às 13:22, por Zarolho
Em 1985, num evento comemorativo do 21 de Março, Gonçalo Ribeiro Telles, rigoroso e pedagógico, surpreendeu‑nos dizendo que em Portugal não há florestas: Esclareceu‑nos acerca das palavras "mata" e "mato" no contexto da Ecologia do Mediterrâneo, e acerca das diferenças ecológicas entre estas e as verdadeiras florestas. Referiu‑se ainda aos eucaliptais e a alguns pinhais como estéreis «searas de árvores».
Lembro‑me sempre de tudo isto ao constatar a constância com que se usa neste contexto as palavras "floresta" e "florestal", com tons invariavelmente apologétigos — desde sobre alfarrobas a eucaliptos para abate. O que contrasta com o uso sincrético, constante e exclusivo do termo parcialmente adequado na carregadíssima expressão "limpeza de matas".
Etiquetas: Ambiente
às 17:03, por Zarolho
Num jornal de hoje (Diário de Notícias 50056: p.48) diz-se que Alberto II, chefe-de-Estado do Mónaco, chegou ontem ao Polo Norte, de onde alerta o Mundo para o aquecimento global.
Deixando de lado a evidência de que já vimos operações mais descaradas de vender férias exóticas a celebridades sortidas a troco de promoções comerciais (lembram-se de Diana e as minas anti-pessoal?), consideramos que mesmo sem sair do seu exíguo país, sua Alteza Sereníssima muito faria contra o aquecimento global se, por exemplo, proibisse o Grande Prémio de F1 que anualmente acolhe.
Claro que países maiores têm mais responsabilidades (ainda que poucos proporcionalmente tantos quanto um que tenha 100% de área urbana, como é o caso do monástico principado), mas se o Mónaco quer dar o exemplo aos grandes em “lavagem de cara” ambiental, então que conceda tão somente 1% dos proventos anuais do seu afamado Casino para a eliminação da praga de Caulerpa taxifolia, que ameaça já vastas áreas do Mediterrâneo.
Acrescente-se, para quem não conhece o caso ou não consultou o artigo da Wikipedia acima enlaçado, que uma variante resistente à água fria, e igualmente tóxica, se tem espalhado pelo Mediterrâneo desde meados da década de 1980, sendo actualmente a mais grave praga xenobotânica marítima. A infecção começou exactamente junto das descargas do Museu Oceanográfico do Mónaco.
Etiquetas: Ambiente
às 23:54, por Zarolho
Já sabíamos: Não é com água que se apagam fogos florestais.
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às 20:34, por Zarolho
Ontem, o suplemento de Economia do Diário de Notícias dizia que a publicidade outdoor é o “meio” que traz mais “retorno”.
Espera‑se pois um proliferar ainda mais anárquico e inestético de cartazes, tapumes, mupis, telas de fachada e demais mamarrachos alienando o “target” da paisagem natural e construída.
Mas o que preocupa o sensível paisagista Pacheco Pereira são os aerogeradores, essa tenebrosa ameaça…
(Ah, não fosse este um blogue de pequenas causas e muito se poderia escrever sobre rivalidades na “família” laranja, sobre Carlos Pimenta e as eólicas, (por comparação) sobre José Sócrates e as águas empresarializadas, e citar, escavando mesmo fundo, algum escrito de Pacheco Pereira, em fase maoista, elogiando as barbaridades paisagísticas e ambientais perpetradas na sua China “Popular”. Mas não temos tempo…)
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às 20:13, por Zarolho
Está muito calor e cheira a mato queimado até no meio de Lisboa mas, senhores da TSF, chamas em dez distritos não é o mesmo que «dez distritos em chamas».
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às 21:33, por Zarolho
O jornal de hoje (Público 5574) traz duas notícias sobre património edificado em risco: A casa de Almeida Garrett, ao Campo de Ourique, em Lisboa (pág. 51, supl. Local Lisboa), e a Escola Portuguesa de Macau (pág. 41): Um que que talvez não venha, afinal, abaixo; e outra que quase certamente virá.
Para meditar junto com o finalmente anunciado esvaziar da “bolha” especulativa do mercado imobiliário, a nível europeu — relatado e comentado nesta posta.
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às 14:41, por Zarolho
Circula entre os mais desocupados esta missiva:
No próximo dia 20 de Julho [2006] pretende‑se juntar 600 milhões de pessoas em todo o mundo para saltarem em simultâneo a uma determinada hora. Pretende‑se que a Terra altere a Sua órbita, afastando‑se ligeiramente do sol para resolução (pelo menos parcial) do aquecimento global (efeito comprovado cientificamente — ver site.
Felizmente, «há sempre alguém que diz não». Desta vez foi Goblin de Gook, que atalhou atempadamente:
Deves ter cá uma sorte, deves. Mesmo assumindo generosamente que cada um desses 600 milhões de indivíduos (10% da população mundial) pesa 100 kg, o total da multidão não ultrapassa os 6×1010 kg. A Terra tem proximadamente 5,98×1024 kg de massa. São 14 ordens de grandeza de diferença. É quase o mesmo que 1 a dividir por 100 000 000 000 000, ou como sói chamar‑se em ciência, «um cagagésimo».
Também há o problema da direcção. Se todo o mundo saltar em simultâneo, muitos provavelmente estarão a fazê‑lo em direcções opostas e a anularem‑se mutuamente.
Não que isso importasse, porque há que considerar a terceira lei do movimento Newtoniano. Quando saltam, estão a empurrar a Terra para baixo, e quando caem, a força gravítica desta gente toda atrai a Terra de volta ao mesmo sítio. A reacção da Terra cancela tudo.
A única maneira que estes saltitões teriam de influenciar minimamente a órbita da Terra em torno do Sol era juntarem‑se todos no mesmo sítio e serem projectados na direcção do Sol a grande velocidade, para nunca mais voltar. A diferença na órbita seria negligenciável, porque como a órbita da Terra é elíptica, a distância do planeta Terra ao Sol varia em milhões de quilómetros ao longo do ano sem que ninguém note a diferença.
…Por outro lado a média do QI da população mundial subiria consideravelmente. :p
Enfim, já vimos maneiras piores de recolher 600 milhões de endereços de e‑mail confirmados, indexados por fuso horário e garantidamente usados por gente ingénua…!
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às 13:12, por Zarolho
(Não, esta posta não versa o inenarrável sátrapa da Madeira, apesar do título bem calhado. Quanto mais não seja porque qualquer coisa digna de se dizer sobre “esse” cairia na área das grandes causas… e para essas já há quem.)
É antes sobre Eduardo Prado Coelho, EPC. É mais honesto, culto e simpático que Alberto João Jardim, apesar de também ter três palavrinhas apenas no seu petit nom (há um outro figurão que até tem quatro, mas a esse também há quem lhe chegue…).
Num jornal já pouco fresco (Público 5530: 9, 2005.05.16), EPC junta-se aos defensores da ampliação do Jardim Botânico (da Escola Politécnica, em Lisboa) como solução para o problema do Parque Mayer. Estou de acordo. Mas…
Escreve EPC que, na sequência de uma abertura do Jardim Botânico “por baixo”, e da comunhão dos seus espaços e serviços com os teatros abandonados do Parque Mayer,
há que pensar na forma como se vai deslizar da contemplação para o divertimento e para outras forma »sic« de cultura.
Isto porque
um jardim é um jardim e tem como traço fundamental a calma, a contemplação, o espaço para as crianças.
Ó Eduardo! Mas não é o Campo Grande, nem o Jardim da Estrela! É o Jardim Botânico, do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa! É a maior colecção de Cycadaceae da Europa (e que lindas são, mesmo o Moloch horridus!…), são as estufas, os herbários, os bancos de sementes! É a biblioteca e a centenária cantina da AEFCL, cenários de tantos “marranços”! Comtemplação, sim — especialmente agora, que florescem roxos os jacarandás, e amarelos os tipus. Mas também trabalho e aprendizagem — Ciência, enfim, que também é cultura!
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às 22:19, por Zarolho
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