Olho e meio

Um blogue de pequenas causas.


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Este blogue é da res­pon­sa­bi­li­da­de de um lis­bo­e­ta com fre­quên­cia uni­ver­si­tá­ria (Bio­lo­gia), ex­‑jor­na­lis­ta actu­al­men­te tra­ba­lhan­do na área in­for­má­ti­ca.

Isto e tudo o mais ou será ób­vio, ou irre­le­van­te. (Vd. ma­ni­fes­to.)

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A 2006-06-12

# Roxo e amarelo

Jacaranda mimosifolia Tipuana tipu

Florescem em Lisboa jaca­ran­dás e tipus, aus­pi­ci­o­sa­mente tra­zidos da Amé­rica do Sul e judi­ci­o­sa­mente plan­tados aqui, aqui e aqui (e em mui­tos mais lu­gares). Para nosso deleite.

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às 13:22, por Zarolho

A 2006-05-16

# Dendro­‑semântica

Em 1985, num evento comemorativo do 21 de Março, Gonçalo Ribeiro Telles, rigoroso e pedagógico, surpreendeu­‑nos dizendo que em Portugal não há florestas: Esclareceu­‑nos acerca das palavras "mata" e "mato" no contexto da Ecologia do Mediterrâneo, e acerca das diferenças ecológicas entre estas e as verdadeiras florestas. Referiu­‑se ainda aos eucaliptais e a alguns pinhais como estéreis «searas de árvores».

Lembro­‑me sempre de tudo isto ao constatar a constância com que se usa neste contexto as palavras "floresta" e "florestal", com tons invariavelmente apologétigos — desde sobre alfarrobas a eucaliptos para abate. O que contrasta com o uso sincrético, constante e exclusivo do termo parcialmente adequado na carregadíssima expressão "limpeza de matas".

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às 17:03, por Zarolho

A 2006-04-17

# Polo aquático

Num jornal de hoje (Diário de Notícias 50056: p.48) diz-se que Alberto II, chefe-de-Estado do Mónaco, chegou ontem ao Polo Norte, de onde alerta o Mundo para o aquecimento global.

Deixando de lado a evidência de que já vimos operações mais descaradas de vender férias exóticas a celebridades sortidas a troco de promoções comerciais (lembram-se de Diana e as minas anti-pessoal?), consideramos que mesmo sem sair do seu exíguo país, sua Alteza Sereníssima muito faria contra o aquecimento global se, por exemplo, proibisse o Grande Prémio de F1 que anualmente acolhe.

Claro que países maiores têm mais responsabilidades (ainda que poucos proporcionalmente tantos quanto um que tenha 100% de área urbana, como é o caso do monástico principado), mas se o Mónaco quer dar o exemplo aos grandes em “lavagem de cara” ambiental, então que conceda tão somente 1% dos proventos anuais do seu afamado Casino para a eliminação da praga de Caulerpa taxifolia, que ameaça já vastas áreas do Mediterrâneo.

Adenda:

Acrescente-se, para quem não conhece o caso ou não consultou o artigo da Wikipedia acima enlaçado, que uma variante resistente à água fria, e igualmente tóxica, se tem espalhado pelo Mediterrâneo desde meados da década de 1980, sendo actualmente a mais grave praga xenobotânica marítima. A infecção começou exactamente junto das descargas do Museu Oceanográfico do Mónaco.

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às 23:54, por Zarolho

A 2005-08-30

# A água é mole, e o fogo dura…

Já sabíamos: Não é com água que se apagam fogos florestais.

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às 20:34, por Zarolho

# Moinhos de vento

© AIC © TMK - TopMarketing

Ontem, o suplemento de Economia do Diário de Notícias dizia que a publicidade outdoor é o “meio” que traz mais “retorno”.

Espera­‑se pois um proliferar ainda mais anárquico e inestético de cartazes, tapumes, mupis, telas de fachada e demais mamarrachos alienando o “target” da paisagem natural e construída.

© AIC © C.M.TMR

Mas o que preocupa o sensível paisagista Pacheco Pereira são os aerogeradores, essa tenebrosa ameaça…

(Ah, não fosse este um blogue de pequenas causas e muito se poderia escrever sobre rivalidades na “família” laranja, sobre Carlos Pimenta e as eólicas, (por comparação) sobre José Sócrates e as águas empresarializadas, e citar, escavando mesmo fundo, algum escrito de Pacheco Pereira, em fase maoista, elogiando as barbaridades paisagísticas e ambientais perpetradas na sua China “Popular”. Mas não temos tempo…)

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às 20:13, por Zarolho

A 2005-08-24

# Incêndios

Já está tudo dito. Mas cito e repito: Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

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às 12:46, por Zarolho

A 2005-07-19

# Discurso inflamado

Está muito calor e cheira a mato queimado até no meio de Lisboa mas, senhores da TSF, chamas em dez distritos não é o mesmo que «dez distritos em chamas».

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às 21:33, por Zarolho

A 2005-06-29

# Patos bravos na gaiola

O jornal de hoje (Público 5574) traz duas notí­cias sobre patri­mó­nio edi­fi­cado em risco: A casa de Almeida Garrett, ao Cam­po de Ouri­que, em Lisboa (pág. 51, supl. Local Lisboa), e a Es­cola Por­tu­guesa de Macau (pág. 41): Um que que tal­vez não ve­nha, afi­nal, abai­xo; e ou­tra que qua­se cer­ta­men­te virá.

Para me­di­tar junto com o final­mente anun­ciado esva­ziar da “bolha” espe­cu­lativa do mer­cado imo­bi­li­ário, a nível euro­peu — rela­tado e come­ntado nesta posta.

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às 14:41, por Zarolho

A 2005-06-23

# Um pequeno salto para a Humanidade

Circula entre os mais desocupados esta missiva:

No próximo dia 20 de Julho [2006] pretende­‑se juntar 600 milhões de pes­soas em todo o mundo para saltarem em simultâneo a uma deter­minada hora. Preten­de­‑se que a Terra altere a Sua órbita, afastando­‑se ligei­ra­mente do sol para re­so­lu­ção (pelo menos parcial) do aque­ci­mento glo­bal (efeito com­pro­vado cien­ti­fi­camente — ver site.

Felizmente, «há sempre alguém que diz não». Desta vez foi Goblin de Gook, que atalhou atempadamente:

Deves ter cá uma sorte, deves. Mesmo assu­mindo gene­ro­sa­mente que cada um desses 600 milhões de indi­ví­duos (10% da po­pu­la­ção mun­dial) pe­sa 100 kg, o to­tal da mul­tidão não ultra­passa os 6×1010 kg. A Ter­ra tem proximadamente 5,98×1024 kg de mas­sa. São 14 ord­ens de gran­deza de dife­ren­ça. É quase o mesmo que 1 a divi­dir por 100 000 000 000 000, ou como sói cha­mar­‑se em ciên­cia, «um caga­gé­simo».

Também há o problema da di­re­cção. Se todo o mundo saltar em simul­tâneo, muitos prova­vel­mente estarão a fazê­‑lo em direc­ções opos­tas e a anu­la­rem­‑se mutuamente.

Não que isso importasse, porque há que consi­derar a ter­ceira lei do movi­mento Newton­iano. Quan­do sal­tam, estão a empur­rar a Ter­ra para bai­xo, e quando caem, a for­ça gra­ví­tica dest­a gen­te to­da atrai a Ter­ra de volta ao mesmo sítio. A reac­ção da Ter­ra can­cela tudo.

A única maneira que estes saltitões teriam de influ­en­ciar mini­ma­mente a órbita da Terra em torno do Sol era junta­rem­‑se todos no mesmo sí­tio e serem pro­jec­tados na direc­ção do Sol a grande velo­ci­dade, para nunca mais voltar. A dife­rença na ór­bita s­eria negli­gen­ci­ável, por­que como a ór­bita da Terra é elíp­tica, a dis­tância do pla­neta Ter­ra ao Sol va­ria em milhões de qui­lóme­tros ao longo do ano sem que nin­guém note a dife­ren­ça.

…Por outro lado a média do QI da popu­la­ção mundial subiria con­si­de­ra­velmente. :p

Enfim, já vimos maneiras piores de reco­lher 600 mi­lhões de ende­re­ços de e­‑mail con­fir­mados, in­de­xa­dos por fuso horário e garan­ti­da­mente usa­dos por gen­te ingénua…!

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às 13:12, por Zarolho

A 2005-05-26

# Banco de jardim

(Não, esta posta não versa o inenarrável sá­tra­pa da Ma­dei­ra, apesar do tí­tulo bem ca­lhado. Quanto mais não seja porque qual­quer coisa digna de se dizer sobre “esse” cai­ria na área das gran­des cau­sas… e para essas já há quem.)

É antes sobre Eduardo Prado Coelho, EPC. É mais ho­nesto, culto e simpá­tico que Alber­to João Jar­dim, apesar de tam­bém ter três pala­vri­nhas ape­nas no seu petit nom (há um outro figu­rão que até tem qua­tro, mas a esse também há quem lhe chegue…).

Num jornal já pouco fresco (Pú­blico 5530: 9, 2005.05.16), EPC junta-se aos defen­sores da ampli­ação do Jar­dim Botâ­nico (da Escola Poli­téc­nica, em Lisboa) como solu­ção para o pro­blema do Parque Mayer. Estou de acor­do. Mas…

Metrosideros excelsa

Escreve EPC que, na sequência de uma abertura do Jardim Botâ­nico “por baixo”, e da comu­nhão dos seus espa­ços e ser­vi­ços com os tea­tros aban­do­nados do Parque Mayer,

há que pensar na forma como se vai des­lizar da contem­plação para o diver­ti­mento e para outras forma »sic« de cultura.

Isto porque

um jardim é um jardim e tem como traço fun­da­men­tal a calma, a con­tem­pla­ção, o espa­ço para as cri­an­ças.

Ó Eduardo! Mas não é o Campo Grande, nem o Jardim da Es­tre­la! É o Jardim Bo­tâ­nico, do Museu de Ciên­cia da Univer­si­dade de Lisboa! É a maior colec­ção de Cycadaceae da Eu­ropa (e que lindas são, mesmo o Moloch horridus!…), são as estu­fas, os herbá­rios, os bancos de semen­tes! É a bi­blio­teca e a cen­te­ná­ria can­tina da AEFCL, cená­rios de tan­tos “mar­ran­ços”! Comtem­pla­ção, sim — espe­ci­almen­te agora, que flo­res­­cem roxos os jaca­ran­dás, e ama­relos os tipus. Mas tam­bém tra­ba­lho e apren­di­za­gem — Ciên­cia, en­fim, que tam­bém é cultura!

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às 22:19, por Zarolho

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